segunda-feira, 11 de maio de 2015

A Insustentável Leveza da Mudança

 
Passado 1 ano e 10 meses desde a minha última publicação, decidi voltar a dar asas aos pensamentos que vão navegando na minha cabeça.
E nada como voltar com um tema que me é bastante especial: a mudança.

A nossa vida é feita de mudanças, umas mais fáceis de encaixar, outras um pouco difíceis de digerir. Passamos por muitas ao longo da vida: a entrada na escola primária, a passagem para o básico e depois para o secundário. O choque académico. A entrada no mercado de trabalho ou até mesmo a mudança de emprego. Ir viver sozinho ou junto, casar, ter filhos, etc. Como podem ver, a vida é repleta de mudanças
Nem sempre é fácil encaixar uma mudança ou decidir avançar para uma. Muitas vezes estamos "colados" à nossa zona de conforto e ao nosso "quintal", o que não nos permite avançar para novos desafios. Mesmo que essa zona de conforto esteja repleta de monotonia, infelicidade ou simplesmente de comodismo.

Sem dúvida que as mudanças são a melhor forma de evoluirmos enquanto pessoa, pois obrigam-nos a apurar os instintos primordiais, tais como a adaptação e a comunicação. Muitas vezes as mudanças não correm como nós pretendemos, mas não devemos esmorecer. Só errando é que nos apercebemos das imperfeições, que nos permitirão corrigir comportamentos e tomadas de decisão. Penso que esta é a magia da coisa.
Hoje em dia a sociedade vive numa alta-rotação sem precedentes. Cada vez é exigido mais e melhor às pessoas... com menos recursos. Sejam eles monetários, humanos ou temporais. É aqui que reside a capacidade de ultrapassar obstáculos e de adaptação às mudanças.

Também há fases na nossa vida em que temos de arriscar e de mudar todo o paradigma. Na minha opinião, não devemos ficar impávidos e serenos no nosso "quintal", como já referi acima. Todas as mudanças acarretam riscos, prós e contras. Mas acima de tudo temos que colocar a nossa felicidade e o sentimento de realização pessoal em primeiro lugar. Por muito que custe a tomar a decisão de mudança, compete somente a nós assumir os riscos e lutar para que sejamos recompensados no futuro.

Muitas vezes costumo dizer que a vida é uma estrada. Com caminhos mais ou menos penosos. A mudança é sem dúvida o pisca-pisca que nos encarregamos de ligar. O que vem a seguir está nas nossas mãos: suor, esforço, dedicação, sacrifício e sobretudo, respeito por nós e pelos outros.

Hoje decidi colocar um pisca-pisca na minha vida. Voltei a escrever. Entre outras coisas.
E espero voltar aqui com muito mais frequência.

"A mudança é a lei da vida. E aqueles que apenas olham para o passado ou para o presente irão com certeza perder o futuro." {John F. Kennedy}

Boas leituras,
GC

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Um Verão Lusitano

{Alentejo}

Após mais uma pausa na escrita, imposta pelo ritmo frenético do trabalho ou simplesmente alimentada por uma preguiça patológica, regresso com algumas palavras. Umas mais bonitas do que outras, mas não se pode agradar nem a gregos nem a troianos. Além do mais, o título desta crónica bem que podia ser o nome dum filme pornográfico dos anos 80, mas acabou por se traduzir nos parágrafos que se seguem.

Chegou o Verão. Aliás, começou a Silly Season. Nesta altura do ano, reabrem as melhores discotecas e bares do Algarve, o país ruma todo a Sul, esquecendo por momentos as tragédias e desgraças que assolam o dia-a-dia lusitano.
As redes sociais ficam inundadas de músicas românticas, de fotografias com pezinhos entrelaçados na areia (alguns pés são mesmo feios, diga-se de passagem), fotografias de passeios por esse Mundo fora, fotografias de festas, fotografias de tudo e de nada.
É também nesta altura do ano que se assiste a um grande volume de relações conjugais terminadas. O calor chama muitas melgas, o Sol faz mal à cabeça e as noites quentes convidam a facadas nas costas. 
Os meios de comunicação social incendeiam ainda mais a enorme fogueira que é o Verão português, com programas totalmente ridículos, manchetes de faca e alguidar e notícias que afinal não são notícias. Já para não falar dos incêndios e das microalgas.

O Verão português é um assunto bastante sério, pois há famílias que programam as suas férias com afinco e como recompensa do seu esforço ao longo do ano. É certo que nem todas as pessoas podem usufruir de férias fora da sua área de residência, pois a economia ainda se encontra de rastos. Mas aos poucos, vamos constatando que o português alterou o seu comportamento. Tornou-se mais racional. Vemos parques de campismo cheios, o turismo rural está a ganhar quota de mercado, as praias fluviais ganharam um novo protagonismo. O Zé Tuga, com o seu bigode farfalhudo, prefere sair da sua zona de residência, gastando menos do que no passado. Nem que isso implique almoçar e jantar massada de atum, cavala enlatada, salsichas com ovos e salada russa. E para acompanhar, uma garrafa de Mundus ou Porta da Ravessa.

A crise económica, a meu ver, veio redimensionar as expectativas e as ambições dos portugueses. Não podemos gastar mais do que aquilo que ganhamos. E isso implicar passar as férias em casa, tudo bem. Vai-se à praia a Magoito, à Ericeira, podemos dar um saltinho à linha de Cascais. Vamos ao cinema. Podemos comer uns scones estupendos em Sintra e aproveitar para visitar a Regaleira, Mouros e a Pena. E mais, trazer uma caixa de travesseiros e de queijadas para casa. 
A verdadeira essência do Verão Lusitano está na expansão da alma, da visão e dos sentidos. Portugal não é apenas o Algarve.
Vamos a Viana do Castelo ver os festejos da Nossa Senhora da Agonia, com aquele cortejo carregado de meninas bonitas cheias de ouro. E podemos ir comer um arroz de cabidela a Santa Marta de Portuzelo.
Vamos ao Porto, comer uma francesinha e beber uns finos. Passear junto ao cais de Gaia e conhecer as Caves dos vinhos. Visitar Serralves e o Parque da Cidade. E pelo meio, podemos ir às praias da Póvoa e de Vila do Conde. Já para não falar da vida nocturna...
Vamos a Óbidos, enfardar ginjas e petiscos medievais como se não houvesse amanhã. 
Vamos ao Alentejo, visitar as suas barragens e paisagens indescritíveis. Comer doces conventuais, gaspachos, ensopados, migas. Beber os vinhos de Reguengos, Estremoz e Borba. Acordar de ressaca, mas feliz da vida.
Vamos à Arrábida e a Tróia dar um mergulho.
Vamos ao Nordeste de Portugal. Vamos à Guarda, a Almeida, a Figueira de Castelo Rodrigo, onde somos sempre bem recebidos pelas suas gentes e onde podemos sentir o Portugal mais profundo que pode existir.
Vamos à Madeira e aos Açores, conhecer as suas gentes e as maravilhas naturais.

No fundo, deixemo-nos ir. Podemos apanhar o comboio, ir de autocarro, convidar amigos e dividir as despesas... sempre com a vontade de conhecer um pouco mais do nosso país.
O meu Verão passa pelas terras quentes do Algarve, um pouco de calor alentejano, mais um pouco de nevoeiro e vento nas praias de Sintra e Mafra (chapéus de sol na água e areia em todos os orifícios). E como se não bastasse, tenho um enorme prazer de ir às festinhas regionais, juntando os meus amigos nessas aventuras. As noites longas, com jantares intermináveis, geralmente são regadas com muita cerveja e vinho. As manhãs são dolorosas, as tardes são para hidratação e as noites são o culminar das frustrações acumuladas ao longo do ano.
Temos que aproveitar o melhor que este pequeno país tem para nos oferecer. Quem quiser, pode escolher outros destinos no estrangeiro. Mas o turismo interno tem vindo a ganhar um novo fôlego, pois tivemos que ajustar os nossos hábitos.

Sejam acima de tudo felizes nestas férias de Verão. Não se vitimizem, não se fechem em casa a ver programas de televisão deprimentes, não cortem os pulsos. O Sol ainda é grátis, bem como a praia. O resto vem por acréscimo, nomeadamente aqueles amigos que nos invadem a casa e que destroem o nosso frigorífico sem piedade.
Agarrem naquele livro que andam para ler há séculos e deixem-se levar pela história. A história de mais um Verão neste nosso Portugal. Com protector solar, se faz favor.

"Eu gosto desta terra. Nós somos feios, pequenos, estúpidos, mas eu gosto disto." {António Lobo Antunes}

Boas leituras,
GC


quarta-feira, 1 de maio de 2013

As Encruzilhadas da Vida


Interrompo o meu longo silêncio porque me deu este bichinho para voltar a escrever algumas palavras. O tempo não tem sido muito meu amigo nos últimos meses, mas hoje a vontade de me expressar falou mais alto.

Apesar de não saber bem o que escrever, lanço-me ao sabor do vento. Pode ser que as palavras surjam mais facilmente.
Os últimos meses não têm sido fáceis. Nada fáceis. Muito trabalho, poucas horas de descanso, stress atrás de stress, pouca paciência e vontade de mandar tudo pelos ares. Mesmo assim, posso dizer que no último ano cresci como pessoa. A entrada no mercado de trabalho foi e está a ser um teste de fogo, sobretudo numa área bastante desgastante e absorvente. Já sabia para onde ia e foi uma escolha ponderada, sem medos. O fundamental nesta fase da nossa vida passa por adquirir conhecimentos, fazer contactos e tentar juntar uns trocos. 
Reparamos que estamos mais independentes, pois temos o nosso dinheiro e respondemos perante as nossas responsabilidades e acções. Cada dia é uma prova diferente, com vários obstáculos e quebra-cabeças constantes.

Construir o nosso futuro não é uma tarefa que se faça de um dia para o outro. Sobretudo nesta fase crítica que Portugal atravessa. Ligamos a televisão ou a rádio e as notícias são desmotivantes, fazendo-nos pensar se vale mesmo a pena continuar a perseguir os nossos sonhos. Eu acredito que vale a pena. Há muito tempo que digo que o caminho a seguir passa por mais educação, mais valorização do capital humano, mais justiça social, pensar mais nos deveres no que nos direitos. Se calhar o mal é esse mesmo: pensar demasiado nos direitos, esquecendo que todos nós temos deveres por cumprir. Votar, pagar impostos, contribuir para o desenvolvimento económico e social do país. Podem-me chamar de fascista, de falar com a barriga cheia, de não conhecer a realidade do país. Pois bem, se calhar se deixássemos de pagar os Rendimentos Sociais de Inserção aos bêbedos, drogados, putas e ladrões para aumentarmos as pensões de quem realmente precisa, ou para incentivar a natalidade, talvez fossemos um país melhor. Isto também serve para os 'imigrantes' que andam por aí, sem trabalho, a pedir nas ruas e muitas vezes, a roubar o que é nosso. Pois bem, nada como metê-los num voo e enviá-los para as suas pátrias amadas, Roménias, Bulgárias, Moldávias, etc.
O que nos falta é 'tomates'. Não estou a falar daqueles demasiado maduros, que servem para fazer salada. Estou a falar dos outros.

Vivemos num Portugal com várias realidades diferentes. A realidade dos mais jovens não é fácil, face ao elevado desemprego, com poucas perspectivas de melhoria.
No meio disto tudo, vejo que sou uma pessoa com sorte. Mas a sorte trabalha-se. 
Sem dúvida que os últimos meses têm sido uma lição de humildade e de responsabilidade, mas só consigo avançar nesta encruzilhada que é a vida porque tenho os melhores ao meu lado. Chateio-me com facilidade, ando sob stress, pareço distante e muitas vezes volto à arrogância do antigamente. Mas depois vejo que o essencial é mesmo invisível aos olhos: o amor e o respeito que nos têm, o respeito e o amor que temos pelos outros. Isto parece demasiado sentimentalista. Se calhar é, mas é a minha verdade. Tenho uma família sem igual, que continua a crescer e que luta pelos seus objectivos. Tenho amigos que me chamam a atenção e que me criticam pelas minhas palavras e acções, porque na verdade se preocupam comigo. Tenho o respeito de muita gente. Não posso ter razões de queixa da minha vida.
Mas cá dentro tenho um pequeno aperto, que me faz questionar vezes sem conta se o rumo que levo será o mais correcto. Poderá ainda não ser, mais um dia será. Fazer aquilo que realmente me realiza: acrescentar valor aos outros e melhorar as suas perspectivas sobre a vida. 

Já sei a razão destas minhas palavras. A vida é uma estrada que é feita de altos e baixos, de pisos inconstantes, de jornadas longas e de momentos duros. Mas a essência da vida não está no ponto de chegada mas sim no caminho que fazemos até esse ponto. À medida que percorremos o nosso caminho, somos confrontados com muitas encruzilhadas. Somos forçados a escolher, a sofrer, a errar, a voltar a tentar e a seguir em frente. Levo comigo todos aqueles que estão ao meu lado, que só têm de mim aquilo que cativaram. Tudo o resto ficará para trás. Não podemos ter medo de assumir as nossas escolhas, porque o passado foi lá atrás e o presente está aqui e agora para ser vivido, sendo que esperamos sempre o amanhã.
A mudança é a coisa mais bonita da vida, mas continuamos a percorrer o caminho da escuridão e do descontentamento. É por estas e por outras que não passamos da cepa torta: sair da zona de conforto? Está quieto.
Mas a mim ensinaram-me uma coisa valiosa: a vida só se constrói com acção, sofrimento, coragem e dedicação. E sorte, mas esta é resultado das anteriores. E com tomates. 
Mãos à obra, que temos muitas encruzilhadas pela frente.

"Viver é a coisa mais rara do mundo - a maioria das pessoas apenas existe." {Oscar Wilde}

Boas leituras,
GC

 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Pêro Pinheiro: 25 anos de Luta



Dois anos antes de eu nascer, a freguesia de Pêro Pinheiro já tinha sido constituída, fruto de uma grande ambição coletiva, que se traduziu numa luta suada, penosa, mas que no final teve o seu reconhecimento merecido.
Cresci nesta terra, onde fiz amigos para a vida, onde vivi grandes emoções e desilusões, onde sobretudo aprendi a respeitar os outros e a mim mesmo. No fundo, cresci com Pêro Pinheiro a meu lado e o meu sangue a esta terra pertence.

Naturalmente, a nossa freguesia sofreu grandes alterações nos 25 anos que se passaram entretanto desde a sua criação. Houve um grande investimento em infraestruturas básicas para a população, no sentido de garantir a utilidade pública e o apoio necessário às atividades económicas, sociais e culturais. Mas a nossa História não se resume a estes factos.
Pêro Pinheiro é a Capital do Mármore, sendo esta a sua principal marca de referência. A nossa identidade está espalhada pelas ruas de Lisboa, nos conventos e palácios de séculos passados, em lugares tão distantes como os Estados Unidos ou a Alemanha. Em cada bloco de pedra há uma história para contar, mas são as nossas pessoas que têm o dom de criar algo tão diferente e valorizado pelo país e mundo fora. O grande património da nossa freguesia não são esses blocos retirados das entranhas da terra nem as infraestruturas construídas: são as pessoas.

Como todos sabemos, Portugal atravessa uma grave situação económico-financeira, que gerou um impacto profundo na indústria da transformação dos mármores e granitos. Cada empresa que fecha representa uma farpa no coração de todos nós. O flagelo do desemprego e da discriminação social cresceu de forma galopante no nosso país, e a freguesia de Pêro Pinheiro não é exceção. Mas temos que ver para além dos problemas. A verdadeira solução para reverter as carências originadas pela crise está na união entre as pessoas e as coletividades da freguesia. Quer seja através do desporto, da música, da igreja, da solidariedade social, basta dar o primeiro passo para que muitos possam impulsionar as suas vidas.

O grande problema dos nossos fregueses ainda reside na inércia e na incapacidade de saírem da sua zona de conforto. Temos que pensar ‘out of the box’ (fora da caixinha), sair da nossa bolha e fazer algo de útil pela comunidade. Não devemos perguntar ‘o que Pêro Pinheiro pode fazer por nós’, mas sim, ‘o que nós podemos fazer por Pêro Pinheiro’. Nos meus 22 anos de vida, já representei duas coletividades da freguesia e participei noutras iniciativas locais. E ainda espero fazer mais e melhor. Posso dizer que acrescentei um grande valor à minha vida, pois conheci novas realidades dentro da minha própria freguesia, mas o mais importante foi ouvir as pessoas e as suas histórias. Aprendi sobretudo a respeitar os mais velhos e a valorizar o esforço individual de cada um.

Os jovens como eu devem perceber que há todo um mundo cá fora para ser descoberto, a começar pela nossa freguesia. A iniciativa não deve ser exclusivamente tomada pelos mais novos, mas também pelos pais ou encarregados de educação. As coletividades podem e devem captar este capital humano, para que a nossa Freguesia e vila se possa revitalizar. Só desta forma é que podemos criar relações sólidas e benéficas entre todos os intervenientes.

Ser jovem em Pêro Pinheiro é uma pequena batalha diária. As incertezas em relação ao futuro são muitas, sobretudo se estivermos a falar em perspetivas de emprego. Face à instabilidade sentida, a nossa Junta de Freguesia deve assumir um papel proactivo e tentar ajudar os mais novos a encontrarem um caminho certo, aproximando-os um pouco mais das suas expectativas e ambições. A chave para garantirmos a sustentabilidade económica e social da nossa freguesia está na formação (escolar, entenda-se) e na vontade de investir no nosso tecido empresarial. Aliando o capital humano à vontade e à irreverência, penso que os jovens de Pêro Pinheiro poderão fazer algo de significativo pela nossa Vila. Mas os jovens também não se podem esquecer que são parte integrante da solução, pelo que devem exercer de forma plena o seu direito de voto quando são chamados às urnas. O apelo à mudança deve ser feito com uma caneta e um boletim de voto e não com uma pedra de calçada na mão.

Hoje em dia, sinto um enorme orgulho por ser parte integrante da nossa Freguesia, pois levo comigo todas as pessoas e todos os lugares de Pêro Pinheiro. Quando me perguntam ‘de onde és?’, nunca respondo ‘Lisboa’ ou ‘Sintra’. Digo simplesmente ‘Pêro Pinheiro’. Não devemos sentir vergonha de o dizer, pois há 25 anos atrás houve um conjunto de pessoas que lutaram incessantemente para que a sua localidade aparecesse no Bilhete de Identidade, na carta de condução, nas certidões de nascimento dos seus filhos e netos, simplesmente como ‘Pêro Pinheiro’. A essas pessoas, devemos todo o legado que existe na nossa Freguesia. E como jovem, sinto o dever de respeitar esse legado e tenho a ambição de fazê-lo crescer.

Se valeu a pena termos chegado aqui? 'Tudo vale a pena quando a alma não é pequena'... e é nesta alma das pessoas de Pêro Pinheiro que está o segredo para a preservação do património edificado e imaterial. A nossa alma é também a força motriz para a construção de um futuro sustentável para todos os jovens e fregueses. Ainda há um longo caminho a percorrer, mas juntos seremos mais fortes. Que venham mais 25!

GC

sábado, 22 de dezembro de 2012

2012: A Mudança


Chegou a hora de fazer o balanço do ano de 2012. Esta crónica é um misto de desabafos, constatações e desejos para o futuro, que decidi expressar da forma mais sincera e frontal. Embarquem na brisa destas palavras e deixem-se levar.

No dia 31 de Dezembro de 2011, tinha a perfeita noção que 2012 ia ser o ano do 'tudo ou nada'. A minha vida podia alterar-se radicalmente ou ficar congelada pelo fracasso. Sabendo de antemão que o caminho não era fácil, não baixei a cabeça e calcei uns ténis para percorrer uma estrada feita de altos e baixos, com partes frias e nebulosas, mas também com momentos amenos e agradáveis.

O primeiro grande acontecimento de 2012 foi o meu abandono do futebol. E posso-vos dizer que foi a decisão mais difícil da minha vida. Quem me conhece verdadeiramente, sabe dos sacrifícios que fiz e do empenho que coloquei ao longo de 9 anos. Mas este ano foi particularmente complicado, não só por estar num plantel sénior, mas também por estar num clube completamente novo para mim. A sorte esteve do meu lado. Mas a sorte trabalha-se. Dediquei-me a fundo ao Alcainça AC e trouxe de lá grandes amigos, dentro e fora das quatro linhas e das paredes do clube. Porque as pessoas têm muito mais para contar do que histórias de golos no último minuto ou de vitórias suadas. As pessoas têm histórias de vida, e quando tu queres investir nem que seja 5 minutos nessa pessoa, tudo muda.
Sinto falta do balneário, do sabor das vitórias, do vento e da chuva a baterem-me na cara, do espírito de grupo, dos sacrifícios invisíveis que fazemos. Mas no fundo, estes 9 anos ao serviço do futebol foram uma grande escola de vida. Pelas derrotas, injustiças e momentos menos felizes, mas sobretudo pelas vitórias suadas. E levo comigo todos aqueles que me fizeram crescer. A eles, um profundo obrigado.

O segundo acontecimento marcante do ano foi a finalização da minha licenciatura em Finanças e Contabilidade, no ISCTE-IUL. Fiquei mais um ano na faculdade para terminar 3 cadeiras em atraso, todas da área da Matemática. Mudei o meu 'mind-set' e enfrentei o Touro de caras. Investi mais tempo no estudo, esforcei-me para perceber as matérias em questão e responsabilizei-me pelo pagamento das minhas propinas. E na altura, estava prestes a assinar um contrato de trabalho. Em Junho, veio o reconhecimento final. Porque as barreiras são feitas para serem ultrapassadas, por cima ou por baixo, e desta vez, quis passar bem por cima. Foram 4 anos marcantes na minha vida, onde conheci pessoas das mais variadas confissões, orientações políticas, com diferentes perspectivas sobre a vida... e aprendi a respeitar as suas opções e pensamentos. Porque hoje em dia, o respeito está em desuso, mas eu faço questão de o utilizar. Um grande obrigado a todos aqueles que conviveram comigo e que levaram consigo um pouco de mim. Eu também levei comigo algo que não é possível quantificar: a amizade.

Depois chegou o Verão. Tinha a perfeita noção de que muito provavelmente seriam as minhas últimas grandes férias. Decidi fazer parte da Comissão de Festas da Freguesia e Paróquia de Pêro Pinheiro, só naquela de 'vamos lá então saber como é a sensação de organizar uma festa... e de calar muita gentalha que por aí anda'. Vesti o fato de macaco, trabalhei durante 10 dias em prol da minha terra e não cobrei um centavo. Porque só assim fez sentido. A minha recompensa foram os momentos inacreditáveis que passei antes e durante a festa. Sobretudo porque arrastei comigo os meus melhores amigos. Queria lá saber das dores nas pernas, nas costas, do cansaço, do cheiro a sardinhas e a cerveja, das poucas horas de sono... no fundo, o que eu queria ver era a satisfação na cara das pessoas por Pêro Pinheiro ter tido uma festa a condizer com a sua reputação.
Também não me vou esquecer da missa que foi feita em honra dos recém-licenciados. Sobretudo pela minha Mãe e pelo meu padrinho (o meu irmão Luís). Pela primeira vez em 22 anos da minha vida, vi uma ponta de orgulho na minha família por algo que eu tivesse feito. Porque nesta altura da minha vida, eu já não sou o puto mais novo, inconsciente e com um ar semi-rebelde e ressabiado. Para alguns da 'família', continuo a ser esse menino. Mas eu não faço disso o meu cavalo de batalha. Segui em frente.
Obrigado Nuno e David, que estiveram ao meu lado naquele momento tão simbólico.

Os restantes meses de Verão foram passados nas festas e romarias regionais. Todas e mais algumas. Rever velhos amigos, por a conversa em dia e ver bons concertos. Obviamente que a parte das ginjas e da cerveja na mão não poderia ser esquecida...
Muitos dias de praia, no Algarve ou aqui na zona de Sintra/Mafra, descanso e lazer. Que mais pode um homem pedir?

Em Setembro, chegou talvez o momento mais importante da minha vida. A entrada no mercado de trabalho. Tudo o que fizeste lá atrás, esquece. Tens que mostrar serviço, empenho e vontade de aprender se quiseres ser recompensado. Passas a trabalhar com pessoas novas, com métodos de trabalho muito variados e com diferentes níveis de desempenho. Depois, tens dois tipos de pessoas com quem trabalhas: aquelas pessoas arrogantes e de nariz empinado, que não te explicam as coisas e que perdem tempo contigo. E tens as pessoas que investem tempo contigo, que se sentam ao teu lado e tiram as tuas dúvidas e que se preocupam com o teu trabalho.
Até ao momento, está a ser uma experiência exigente, mas tenho mais razões para acreditar no lado positivo do que no lado negativo.
Basta continuar a trabalhar e dar o melhor.

No fundo, 2012 foi um ano de grande aprendizagem e crescimento. Aprendi que não tenho tempo para dramas e para questões superficiais. Aprendi a preocupar-me mais comigo. Aprendi que crescer custa, e muito, mas vale a pena pela experiência. Aprendi a dar valor a quem me dá valor. Aprendi a responsabilizar-me pelas minhas palavras e actos. Aprendi que nos dias menos felizes, devemos sempre partir em busca do amanhã, porque esse será melhor. Aprendi a ouvir as pessoas.

Levo comigo tudo aquilo que me fez crescer, errar, sofrer e amar. 
2012 foi o ano da mudança. Porque a mudança é a coisa mais bonita da vida.
Felizmente, o Mundo não acabou. E a minha família continua a crescer, com mais e mais sobrinhos.

Um enorme obrigado também à pessoa que sempre esteve a meu lado, em todos os momentos. Não é fácil aturar este mau feitio... 

Feliz Natal e um Próspero 2013 para todos! Não será um ano fácil, mas vamos todos desligar a televisão e deixar de ler notícias sensacionalistas. Há que enfrentar a realidade e pensar nas soluções e não nos problemas. Pede-se coragem, tenacidade e saúde.

P.S: um agradecimento final para os leitores do Sweet Dreams. Este projecto arrancou em Fevereiro de 2012, num misto de incerteza e de ansiedade. Penso que o balanço é positivo, não só pelo feedback que me foi dado mas também pelo número de visitas ao blogue.
Continuem a acompanhar as publicações em 2013!

Boas leituras,
GC

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

A matéria prima para (Re)construir Portugal


A roda viva do trabalho deixa pouca margem para pensamentos mais profundos, mas mesmo assim, existe sempre aquela vontade de expressar o que vai na alma. Desta vez deixo-vos um texto da autoria de um escritor e ensaísta português falecido em 2007, onde todos nós somos retratados de uma forma audaz e sem pudor. Será normal se cada um de nós se identificar com algumas das palavras que se seguem. Afinal de contas, o estado de espírito de um português, é o mesmo de dois ou três.
Em breve, retomarei os textos da minha autoria mas por agora deixem-se levar na onda deste auto-retrato lusitano. 

"A crença geral anterior era de que Santana Lopes não servia, bem como Cavaco, Durão e Guterres.
Diziamos que Sócrates não servia. E o que vier depois de Passos Coelho também não servirá para nada.
Por isso começo a suspeitar que o problema não está no trapalhão que foi Santana Lopes, na farsa que é o Sócrates ou no silêncio de Cavaco. O problema está em nós. Nós como povo. Nós como matéria prima de um país.
 
Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro.
Um país onde ficar rico da noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais.
Pertenço a um país onde, lamentavelmente, os jornais jamais poderão ser vendidos como noutros países, isto é, pondo umas caixas nos passeios onde se paga por um só jornal. E se tira um só jornal, deixando-se os demais onde estão.
Pertenço ao país onde as empresas privadas são fornecedoras particulares dos seus empregados pouco honestos, que levam para casa, como se fosse correcto, folhas de papel, lápis, canetas, clips e tudo o que possa ser útil para os trabalhos de escola dos filhos... e para eles mesmos.
Pertenço a um país onde as pessoas se sentem espertas porque conseguiram comprar um descodificador falso da TV Cabo, onde se frauda a declaração de IRS para não pagar ou pagar menos impostos.
 
Pertenço a um país:
- Onde a falta de pontualidade é um hábito
- Onde os directores das empresas não valorizam o capital humano
- Onde há pouco interesse pela ecologia, onde as pessoas atiram lixo nas ruas e, depois, reclamam do governo por não limpar os esgotos
- Onde não existe a cultura pela leitura (onde os nossos jovens dizem que é 'muito chato ter que ler' e não há consciência nem memória política, histórica nem económica)
- Onde os nossos políticos trabalham dois dias por semana para aprovar projectos e leis que só servem para caçar os pobres, arreliar a classe média e beneficiar alguns
Pertenço a um país onde as cartas de condução e as declarações médicas podem ser 'compradas', sem se fazer qualquer exame
- Um país onde uma pessoa de idade avançada, ou uma mulher com uma criança nos braços, ou um inválido, fica em pé no autocarro, enquanto a pessoa que está sentada finge que dorme para não lhe dar o lugar
- Um país no qual a prioridade de passagem é para o carro e não para o peão
- Um país onde fazemos muitas coisas erradas, mas estamos sempre a criticar os nossos governantes
 
Quanto mais analiso os defeitos de Santana Lopes e de Sócrates, melhor me sinto como pessoa, apesar de que ainda ontem corrompi um guarda de trânsito para não ser multado.
Quanto mais digo o quanto o Cavaco é culpado, melhor sou eu como português, apesar de que ainda hoje pela manhã explorei um cliente que confiava em mim, o que me ajudou a pagar algumas dívidas.
Não. Não. Não. Basta.
Como 'matéria prima' de um país, temos muitas coisas boas, mas falta muito para sermos os homens e as mulheres que o nosso país precisa.
Esses defeitos, essa 'chico-espertice' congénita, essa desonestidade em pequena escala, que depois cresce e evolui até se converter em casos escandalosos na política, essa falta de qualidade humana, mais do que Santana, Guterres, Cavaco ou Sócrates, é que é real e honestamente má, porque todos eles são portugueses como nós. Eleitos por nós. Nascidos aqui, não noutra parte...
 
Fico triste. Porque ainda que o Passos Coelho se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. E não poderá fazer nada...
Não tenho nenhuma garantia de que alguém possa fazer melhor, mas enquanto alguém não sinalizar um caminho destinado a erradicar primeiro os vícios que temos como povo, ninguém servirá.
Nem serviu Santana, nem serviu Guterres, não serviu Cavaco, nem serve Sócrates e nem servirá o que vier.
Qual é a alternativa ? Precisamos de mais um ditador, para que nos faça cumprir a lei com a força e por meio do terror?
Aqui faz falta outra coisa. E enquanto essa 'outra coisa' não comece a surgir de baixo para cima, ou de cima para baixo, ou do centro para os lados, ou como queiram, seguiremos igualmente condenados, igualmente estancados... igualmente abusados!
É muito bom ser português. Mas quando essa portugalidade autóctone começa a ser um empecilho às nossas possibilidades de desenvolvimento como nação, então tudo muda...
 
Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um messias.
Nós temos que mudar. Um novo governante com os mesmos portugueses nada poderá fazer. Está muito claro... Somos nós que temos que mudar. Sim, creio que isto encaixa muito bem em tudo o que anda a acontecer-nos: desculpamos a mediocridade de programas de televisão nefastos e, francamente, somos tolerantes com o fracasso. É a indústria da desculpa e da estupidez.
Agora, depois desta mensagem, francamente, decidi procurar o responsável, não para o castigar, mas para lhe exigir (sim, exigir) que melhore o seu comportamento e que não se faça de mouco, de desentendido.
Sim, decidi procurar o responsável e estou seguro de que o encontrarei quando me olhar no espelho."

{Adapt. Eduardo Prado Coelho, 29/03/1944 - 25/08/2007}

Boas leituras,
GC

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A Força está na Vontade


De regresso para mais uma crónica, nem sempre é fácil escolher um tema para dissecar. Ou porque as ideias andam escassas ou porque não há muita disponibilidade para escrever. Mas felizmente consegui arranjar um tempo para expor as próximas ideias, que se debruçam sobre o nosso futuro. O pessoal e o profissional. Vamos lá então!

Pois é. Acabou-se a boa vida, aquela que tinha começado aos 6 anos de idade, quando entras para a escola primária, e que conhece um fim ao terminares a tua licenciatura ou mestrado. No meu caso, terminada a licenciatura, desfrutei ao máximo de três meses de férias, onde fiz um pouco de tudo. Fazer parte de uma comissão de festas, ir ao maior número possível de festas populares, passar dias a fio na praia, dormir como se não houvesse amanhã, jantares intermináveis com os amigos, desfrutar do Algarve... foram portanto 90 dias em alta rotação. Mas como todas as coisas boas têm um fim, está na hora de arregaçar as mangas e trabalhar.
A entrada para o mercado de trabalho marca o início de uma nova etapa nas nossas vidas, onde passamos a focar os nossos olhos noutros horizontes. Conhecemos novas pessoas, novas metodologias, novos conceitos, e sobretudo, a responsabilidade aumenta. A responsabilidade não é propriamente uma coisa má, antes pelo contrário, faz com que estejamos de olhos bem abertos, com o intuito de darmos o nosso melhor enquanto pessoa e colaborador de uma empresa.

Valorizo o facto de ter tirado uma licenciatura que me possibilitou arranjar emprego na respectiva área de formação, o que nos nossos dias, é algo cada vez mais difícil de encontrar. O mérito não é só de quem estuda, mas é também das faculdades e do seu reposicionamento no mercado universitário, com uma oferta de currículos mais vasta, que vai de encontro às necessidades das empresas. As empresas percepcionam esta mudança e focam o seu recrutamento para as universidades mais cotadas, no sentido de colmatar as lacunas de capital humano.
Aqui está outra perspectiva a ser analisada. Os Recursos Humanos deram lugar ao Human Capital, porque os colaboradores de uma empresa formam um capital essencial para o cumprimento de objectivos globais. Para além do capital financeiro e tecnológico, o capital humano deve ser a força motriz da economia, aliado a uma formação adequada, porque no fundo, quem possuí conhecimento tem na mão uma grande vantagem competitiva.
Depois deste devaneio teórico, passo a explicar. A formação académica e laboral são essenciais para o desenvolvimento social e económico de um país. Apesar do desemprego jovem ser elevado, sinto-me bastante contente por ver alguns dos meus amigos a ingressarem no mercado de trabalho, sinal de que o esforço financeiro e psicológico não foram em vão. Acredito sobretudo que é uma questão de atitude e de pró-actividade, porque as coisas não caem do céu. E mesmo aqueles amigos que ficaram para trás nos estudos, aperceberam-se que a aposta na formação é fundamental para melhorarem o seu nível de vida. Tudo para responder à pergunta: 'onde queres passar as tuas férias daqui a 20 anos?'. A resposta a esta pergunta está no empenho que colocamos no trabalho diário de cada um.

Tal como diz um senhor meio 'maluco', é preciso bater punho. Ficar fechado numa redoma não é definitivamente a solução. Talvez por isto, muitos jovens acabam por definhar à sombra da bananeira, porque os pais estendem demasiado a mão. Mas cada caso é um caso, e não convém generalizar.
Portugal está a atravessar um momento dificílimo na sua história e toda a gente protesta. Por tudo e por nada. Mas como pode um país estar bem de saúde, se o maior partido de todos é a abstenção? E porque razão as pessoas não exigem tanto dos políticos como exigem do Cristiano Ronaldo quando o rapaz falha um golo de baliza aberta? 
Por vezes, chamam-me 'extremista' e 'fundamentalista', mas na essência, é a minha maneira de ver o Mundo. Gosto demasiado de Portugal e prefiro ver o lado positivo das coisas. A questão aqui não é saber qual é o problema... mas sim a solução. E tipicamente, morremos afogados em problemas. 

O que mais me choca não é a greve dos autocarros, dos comboios, dos aviões ou dos barcos... mas sim a greve de espírito que se apoderou de todos nós. É por isso que desligo a televisão e passo a não ter paciência para os dramas psicadélicos de muita boa gente.
Depois destas palavras em jeito de desabafo, fica a ideia de que a formação é o maior investimento que se pode fazer... formação académica, profissional, mas também cívica. Porque a falta de civismo é muito feia e faz com que as pessoas andem de mau humor e deprimidas.

Nota final: caros leitores, como se devem ter apercebido, existe algum lapso temporal entre as minhas publicações. Esta nova etapa exige muita entrega e disponibilidade, mas sempre que me for possível, publicarei o que me vai na alma. Ficar quieto e calado é uma coisa que não me assiste, já dizia o outro rapazinho que se espalhou de skate.

'É erro vulgar confundir o desejar com o querer. O desejo mede os obstáculos... a vontade vence-os.' {Alexandre Herculano}

Boas leituras,
GC

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Não Há Almoços Grátis


Parece-me que Portugal abanou de vez. A notícia do aumento de impostos fez disparar uma onda de indignação pelas redes sociais e pelos meios de comunicação social, como tem vindo a ser apanágio. As pessoas na rua não falam de outra coisa e andamos todos com a cabeça no chão. Mas será que há alternativa, um outro caminho a percorrer que seja menos penoso para todos nós? Calcem uns ténis confortáveis e embarquem neste trilho sinuoso que vou explorar.

Como sabem, Portugal enfrenta uma grave crise económico-financeira. Os indicadores como o PIB, taxa de desemprego, inflação, bem como a falta de financiamento da economia são motivos sérios para as pessoas comprarem antidepressivos como se não houvesse amanhã. Mas será assim tudo tão linear? As contas do nosso país sofrem de problemas estruturais, ou seja, que já vêm de muito trás. A economia portuguesa baseou-se na transferência de postos de trabalho do sector secundário para o terciário (prestação de serviços), deixando um buraco tremendo na agricultura e na indústria. Deixámos de ser competitivos em termos salariais, porque os países da Europa de leste e asiáticos oferecem melhores condições para a redução de gastos associados à produção.
Os nossos irmãos, primos e amigos tiraram licenciaturas com a expectativa de virem a construir uma carreira sólida e com perspectivas de progressão, mas as exigências do mercado são cada vez mais. Desde 2008, que andamos mergulhados numa penumbra sem precedentes, com notícias quase diárias sobre empresas que são deslocalizadas ou que vão à falência, o drama das famílias para pagarem as contas ao final do mês, o flagelo do desemprego, os gastos exorbitantes dos políticos e os escândalos financeiros. No fundo, tudo isto é o nosso triste e ridículo Fado, pois somos nós mesmos que traçamos o nosso caminho.

Em vez de me indignar nas redes sociais, como é da moda, contra as touradas e contra mais austeridade, prefiro fazer as coisas de outra maneira. Já que não sou muito dado a discussões políticas nem futebolísticas (dois temas que recuso comentar em público, pois podem originar situações menos agradáveis), decido expor o meu ponto de vista escrevendo estas palavras.
Somos sem dúvida um país de memória curta. 
Milhões de euros e milhares de Km's depois, temos autoestradas onde circulam um número ridículo de carros por dia. Foram assinadas Parcerias Público Privadas (PPP's) para a construção de SCUT's e de outros empreendimentos, baseadas em taxas de retorno elevadíssimas, que afinal estavam todas marteladas. Se olharem para a vossa factura da electricidade, podem constatar que uma grande parte do valor despendido segue directamente para financiar os estrondosos investimentos em energias renováveis... já para não falar da Taxa Audiovisual, que serve para pagar os ordenados do José Carlos Malato, Jorge Gabriel e da Catarina Furtado. 
Os milhões de euros em fundos comunitários que foram desaproveitados, sobretudo na área da agricultura. Os gastos inexplicáveis na Parque Escolar, os estádios de futebol construídos para andarem às moscas. A lista é interminável, mas como podemos constatar, somos peritos a deitar dinheiro para o lixo. Baseámos o nosso crescimento económico no dinheiro do Estado, através de obras públicas e subsídios. Mas a fonte estatal secou. E os autotanques que trouxeram água vão exigir muitos sacrifícios.

Todos nós temos a quota parte de culpa nesta história. Um defeito inegável do português, gastar mais do que pode. A criação de emprego é sobretudo baseada no consumo. Se consumimos mais, há mais dinheiro a circular e existe a criação de postos de trabalho. Como gastávamos mais do que tínhamos, auxiliados com os créditos pessoais, o panorama permaneceu estável até 2008. Depois disso, deu-se a explosão mundial. Os bancos deixaram de emprestar dinheiro à economia e às pessoas, as empresas tiveram que despedir trabalhadores e obviamente, sem dinheiro disponível, a procura interna ressente-se. Menos consumo, menos postos de trabalho. Coloquem isto na vossa mente: o verdadeiro capitalista não é a entidade patronal, mas sim o consumidor, que tem a possibilidade de criar postos de trabalho. E a nossa economia, assente em pressupostos de consumo, ficou abalada. Hoje em dia, assistimos a um ajustamento sem precedentes nas contas públicas. Os erros do passado são como as lapas, agarram-se à rocha e muito dificilmente desaparecem. Só com muita perseverança, tenacidade e coragem é que podemos descolar as muitas lapas que nos foram deixadas.

Em 1977 e 1983, o FMI bateu à nossa porta. Desemprego, inflação elevada e a desvalorização do escudo foram sobretudo as razões da intervenção internacional. Estes problemas foram resolvidos da seguinte forma: redução de salários (privados e públicos), cortes nos subsídios e subida de impostos. Naquele tempo, podia-se desvalorizar o escudo para tornar as exportações portuguesas mais competitivas, mas hoje esse mecanismo é impossível, pois estamos numa zona de moeda única. Não se pode imprimir moeda porque isso iria originar uma inflação descontrolada. Logo, a receita actual segue quase os mesmos pergaminhos das duas anteriores visitas do FMI.
Estas medidas têm como finalidade a retracção do consumo, reestruturação do mercado de trabalho, equilíbrio das contas públicas e crescimento económico baseado nas exportações. Deixo de seguida, uma lista com sugestões pessoais, que a meu ver, poderiam ajudar na estabilização da nossa economia:

- privatização de empresas estatais (TAP, CP, ANA... com a manutenção de participação maioritária)
- descida do IVA na restauração e hotelaria para 13% ou taxa similar, pois são sectores estratégicos na economia nacional
- aposta nas exportações e internacionalização das empresas (vestuário, calçado, estaleiros navais, empresas de alta tecnologia, cortiças, vinhos...)
- extinção ou fusão de fundações e corte nos subsídios concedidos (Sr Mário Soares, se me estiver a ler, não se esqueça duma coisa, quando o FMI veio cá das duas vezes anteriores, sabe bem quem era o primeiro ministro na altura. Por isso, antes de apontar o dedo, certifique-se que tem a sua mãozinha limpinha)
- extinção de empresas públicas que possuam elevados prejuízos acumulados
- corte nos subsídios a actividades culturais e afins (não se admite que um filme patrocinado pela televisão pública tenha menos de 5000 espectadores no cinema. Façam-se à vida e arranjem mecenas privados)
- cortes nos vencimentos dos deputados e gestores públicos (por uma questão de moral e de princípio, ninguém na função pública deveria ganhar mais do que o Presidente da República)
- corte nos vencimentos das Forças Armadas (tema sensível, mas o que é certo é que existem altas patentes a mais, com elevadas regalias)
- estimular a produção nacional de alimentos, pois o nosso país importa mais do que exporta nesta área, criando um défice alimentar (regresso à agricultura, pecuária e afins)
- colocar os reclusos, pessoal do RSI e militares a limpar as matas estatais, pois os fogos florestais acarretam milhões de euros em prejuízos, por ano
- modernização das linhas ferroviárias, com a aposta no tráfego de mercadorias, criando ligações estratégicas (ligação do porto de Sines, Leixões e Lisboa ao resto da Europa)
- aumentar a eficácia da Justiça (aumentar os polícias, sim leram bem. Aplicação de regras mais duras para os casos de roubo, homicídios e crimes económicos. Cândida Almeida disse que os nossos políticos não eram corruptos. Gostava de saber qual foi o vinho que ela bebeu antes de dizer isto)
- impostos mais elevados para quem recebe mais (sobre património, capital e rendimentos)
- reformulação no SNS. O Estado devia pagar parte da formação de médicos e enfermeiros, mas estes teriam que trabalhar em exclusivo durante 6 a 8 anos para o SNS
- etc

Poderia continuar aqui o dia todo, mas não me apetece. 
Se me perguntarem se concordo com as novas medidas de austeridade anunciadas pelo Primeiro Ministro e pelo Ministro das Finanças, eu responderei: 'em tempos de excepção, medidas de excepção'. E ninguém pode negar que enfrentamos tempos de excepção, devido aos já referidos erros estruturais. 
É inevitável, a classe média suportará mais uma vez grande parte do ajustamento financeiro que foi exigido ao país. Temos que redefinir hábitos de vida. Ir jantar fora menos vezes, ir ao cinema menos vezes, sair de casa para fazer desporto (ginásio, bicicleta, jogging), deixar de fumar, tomar o pequeno almoço em casa, colocar lâmpadas de baixo consumo, reutilizar roupas, inovar nas refeições, desligar o standby dos electrodomésticos... e por aí em diante. Uma família com dois filhos em idade escolar, com um rendimento mensal na casa dos 1500€ mensais, com contas para pagar, neste momento pode-me mandar à merda. Um desempregado de longa duração também me pode mandar à merda. Mas nada se faz sem esforço.

O nosso Portugal está a transformar-se. Necessita de pessoas qualificadas e com vontade de vencer. Um curso superior bem escolhido, com uma taxa elevada de empregabilidade é meio caminho andado para o sucesso. Segundo a OCDE, quem tem um curso superior ganha mais 69% do que uma pessoa que só se ficou pelo ensino secundário. Já o defendi aqui e volto a defender, a reestruturação de um país deve começar pela educação. Profissões altamente especializadas, como as engenharias, finanças, medicina, ciências e por aí fora, são sempre mais valias. Se o mercado nacional está saturado, temos que apontar baterias noutro sentido. O português é conhecido por se desenrascar. Se descobrimos meio Mundo apenas com astrolábio e bússola, podemos bem triunfar noutros locais.

É hora de deixar os populismos e as manifestações de caracácá de lado. Acho piada às pessoas que dizem: 'isto só lá ia com um Salazar ou dois'. Agora que as medidas estão a ser tomadas, todos metem a cabeça na areia e criticam quem tem a responsabilidade do poder. PSD, PP, PS, todos eles têm quota parte de culpa, pois caímos num poço, onde por momentos deixámos de respirar. Temos que ser sérios, ver menos televisão, sermos menos influenciados por opiniões incendiárias, trabalhar mais e apostar na meritocracia. Se os nossos salários fossem indexados à produtividade, a maior parte do país recebia menos do que o salário mínimo. Ser produtivo significa acrescentar valor ao bem ou ao serviço, mas sobretudo à empresa. A nossa cultura empresarial tem que mudar, as chefias ainda usam muitas palas na cabeça, o que inviabiliza o crescimento económico.
Não há almoços grátis por isto mesmo. Tudo na vida tem um preço, e neste momento esse preço chama-se 'austeridade'.

Esqueci-me de uma coisa essencial. Das pessoas que tanto criticam as novas medidas de austeridade, quantas delas votaram nas últimas eleições? E nas anteriores? A isto chama-se 'memória curta'.
Mãos à obra, há muito que fazer.

'Em Portugal, as pessoas são imbecis ou por vocação, ou por coacção, ou por devoção.' {Miguel Torga}

Boas leituras,
GC

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Sensibilidade e Bom Senso


Recentemente, tenho notado que algumas das pessoas que me são mais próximas estão com problemas com os seus melhores amigos. Ou que supostamente deveriam ser os seus melhores amigos. O tema desta crónica versa sobre isso mesmo: amizades, desilusões, evolução, ambições pessoais e por aí fora. Quem é que nunca ficou desiludido com um amigo? Quem nunca criticou um amigo pelas costas? Vamos lá a saber.

No que toca às amizades, quando somos crianças tudo é muito bonito. Na escola primária e no básico fazemos promessas e juras eternas de amizade, que estaremos lá um para o outro quando o mal bater à porta e que iremos muitas vezes à praia ou beber um copo quando assim for necessário. Chega o secundário e aí dá-se um ligeiro impacto, com novos colegas e novas rotinas. No meu caso, fui para uma escola secundária diferente dos meus amigos, e hoje em dia não me arrependo nada, pois conheci excelentes pessoas que ainda hoje fazem parte do meu quotidiano. No secundário, ainda vivemos aquela ilusão da idade, das festas, das descobertas sexuais, das discussões com os pais e da tentativa de ganhar independência. Os amigos são inseparáveis, vão às tuas festas de anos e saem à noite como se não houvesse amanhã, empunhando os copos cheios, com brindes infindáveis.

Chega a faculdade, e aqui dá-se o grande choque das nossas vidas. Somos obrigados a fazer uma ruptura com a nossa zona de conforto, pois os nossos amigos tiveram médias diferentes, escolheram cursos diferentes e vão para faculdades diferentes. Ou vão trabalhar, inclusive. Perdemos o contacto com muitos deles ou só nos vemos naqueles jantares nostálgicos de turma. E aí reparamos que crescemos. Já não somos aquele rapaz que usava roupa larga ou sapatos de vela. Ou risco ao lado. As responsabilidades da vida fazem crescer uma pessoa. Já para não falar da imensa quantidade de pessoas que se conhece na faculdade, que mudam a nossa perspectiva perante o mundo. Muitas dessas pessoas acabam por se tornar nossos amigos, mesmo que tenham ideologias diferentes. Porque aos 21, 22 anos, procuras uma pessoas para ter uma boa conversa, debater ideias e beber um copo, sem teres que voltar às conversas revivalistas do género: 'ainda te lembras do básico, quando o X gostava da Y, mas o X acabou por comer a W, que era a melhor amiga da Y?'. 
Quando entras no mercado de trabalho, vais conhecer novas pessoas. Nesta selva competitiva, são poucos aqueles que estão do teu lado, mas mesmo assim, podes fazer bons amigos por lá, que acabam por se identificar contigo. Afinal de contas, não estamos todos sozinhos.

Isto tudo para dizer o quê? As pessoas são como os Pokemons: estão sempre a evoluir, para melhor e para pior. Aqueles amigos ou amigas que ainda ontem estavam a beber um copo contigo ou a ir à praia, a desabafar, são aquelas pessoas que encontras hoje numa festa e que desviam o olhar só para não terem que te cumprimentar. São aquelas pessoas que afinal já não assumem tanta importância na tua vida, pois começas a ter outras prioridades. Tens a agenda diária preenchida e chegas ao final da semana e pensas: 'vou estar com os meus amigos, com a minha namorada ou com ambos?'.
Notas que os teus amigos de outrora dão-se com pessoas que não vão de encontro à tua personalidade, e que muito provavelmente nunca mais os vais convidar para aquela festa ou para aquele café. Com o passar do tempo, cresces. Acabas o curso, vais para o mercado de trabalho e não tens paciências para os filmes e novelas que os teus amigos te fazem. Por vezes, eles pensam que és um esgoto e descarregam todas as frustrações em cima de ti, sem teres a mínima culpa. São injustos contigo porque usam os teus conhecimentos e capacidades técnicas sem respeito pelo teu esforço, como se fosses um mero saco de batatas. Começas a ver que os teus amigos de outros tempos são egoístas e oportunistas. Tradicionalmente, tu só sabes quem são os teus verdadeiros amigos nas horas de maior dor e aperto. Quando estás no poço e com a merda a chegar ao nariz, poucos te vão dar a mão. Nessa altura, perdes amigos, ganhas admiração por alguns e conformas-te com a atitude de outros.

Os amigos de outros tempos passaram para a categoria de conhecidos, pois tu já não partilhas com eles as grandes alegrias da tua vida, já não queres estar com eles a toda a hora e acima de tudo, não te enquadras com a sua personalidade. Percebes que à tua frente, eram panos quentes e sorrisos fáceis. Nas tuas costas, eram facas e línguas afiadas.
Estás a comer sopa de grelos com um amigo, e achas que ficaste com grelos nos dentes depois de terminada a sopa. Levantas-te e vais à casa de banho, e notas que tens os dentes cheios de grelos. A essência da coisa está aqui: o verdadeiro amigo é aquele que diz que tens grelos nos dentes, sem rodeios. O verdadeiro amigo é aquele que se preocupa com as tuas frustrações e que está contigo nas horas nebulosas. O verdadeiro amigo é também aquele gajo que está presente nos momentos mais importantes da tua vida, porque se ele é verdadeiro significa que te acrescentou valor e que queres partilhar algo mais com ele.
E é nesta fase que os amigos que foram despromovidos a conhecidos vão conhecer a dura realidade: a vida é feita de ciclos. Por muito que custe, o sol continuará a nascer e haverá sempre algo para fazer. Não vale de nada sermos orgulhosos, guardar para nós todo o rancor e raiva do passado. Cada um segue o seu caminho e desejo que as metas e ambições individuais sejam alcançadas. Também errei, pois é próprio do ser humano errar. E já fui injusto com alguns amigos. Mas no final, dei o braço a torcer, pois não consigo ficar muito tempo com alguma coisa atravessada na garganta. Faz parte de mim.

Não me custa saber se aqueles que eram meus amigos desviam o olhar ou baixam a cabeça para não me verem. Custa-me mais o facto de não terem a frontalidade e integridade de dizerem que tenho grelos nos dentes. E há-de chegar o santo dia em que vamos comer uma sopa, onde não vou deixar que a pessoa se levante para ir à casa de banho. A isto chama-se 'sensibilidade e bom senso'.

'A vida dá lições que só se dão uma vez'. {Winston Churchill}

Boas leituras,
GC




sexta-feira, 24 de agosto de 2012

O Estado do Desporto em Portugal

Forrest Gump Vs Usain Bolt

Andando ao sabor das ondas do Verão, o meu ritmo de publicações é deveras mais baixo do que noutras alturas do ano, como já devem ter reparado. Desde já peço desculpa, mas é mais forte do que eu! Hoje venho-vos falar de desporto, depois da euforia olímpica ter acalmado um pouco. A prestação dos nossos atletas em Londres, o estado do desporto em Portugal, a prática de modalidades... calcem uns ténis confortáveis, metam uns phones nos ouvidos e sigam comigo.

Segui com alguma atenção o desempenho dos nossos atletas nos Jogos Olímpicos que se realizaram em Londres. Obviamente que a maior desilusão veio da Telma Monteiro, porque havia ali uma certa expectativa gerada pelos sucessos mais recentes da atleta. Os dias iam passando e eu só via atletas portugueses a serem eliminados. Até que veio uma pequena alegria através do ténis de mesa, com uma excelente prestação dos nossos pupilos, e a alegria maior preconizou-se com a conquista da medalha de prata na canoagem, por Emanuel Silva e Fernando Pimenta. Uma medalha somente, em dezenas de atletas que foram até à capital inglesa.
Longe vão os tempos em que o atletismo nacional trazia grandes alegrias ao povo, que ficava colado ao ecrã, à espera que o Carlos Lopes, Rosa Mota ou a Fernanda Ribeiro cortassem a meta. De vez em quando, a nível europeu, lá fazemos umas graçolas, como a Jéssica Augusto ou a Dulce Félix. Hoje em dia, os índices de competitividade estão bastante elevados, o que nos faz correr atrás de países inimagináveis, tais como a Etiópia, Eritreia, Quénia, Qatar, etc. E eu pergunto: então não temos as condições de treino necessárias para alcançar o sucesso? Temos, sim senhor. Portugal tem excelentes instalações desportivas, nomeadamente centros de alto rendimento (Rio Maior, Caldas da Rainha, Sangalhos), parques desportivos, pavilhões e faculdades. Basicamente, temos os ingredientes todos, mas é como se estivéssemos a cozinhar de olhos vendados. 
Acredito nas capacidades do nosso capital humano, mas devido ao nosso fatalismo/sebastianismo faltará sempre algo. Aquela pontinha de sal ou de pimenta, ou seja, mais esforço, sacrifício e dedicação. É muito bonito quando se diz: 'ahhhhh, já é uma vitória estar aqui presente'. Exacto, os contribuintes irão dizer a mesma coisa, certamente, já que as bolsas do COP foram pagas com o dinheiro de todos nós.
Choca-me sobretudo o facto dos atletas paralímpicos obterem melhores resultados e não receberem o devido incentivo e reconhecimento. Supostamente deveria haver equidade, mas estamos num país onde é mais bonito enviar areia para os olhos...

Quando dizem que o Estado deveria apoiar mais os atletas, subsidiando as condições de treino e afins, digo-vos uma coisa tão simples como esta: no Brasil, grande parte dos atletas olímpicos são patrocinados por empresas privadas. E esta, hein? Porquê que a GALP, EDP, PT, Jerónimo Martins, SONAE e demais empresas cotadas não criam uma espécie de mecenato desportivo para apoiarem os nossos atletas? Os pilotos de rali, especialmente o Armindo Araújo e o Carlos Sousa, não andam agarrados à perna do Estado para ver se cai um subsídiozinho, por exemplo. O Tiago Pires anda à boleia da QuickSilver, mais um exemplo. Estão a ver onde quero chegar? Temos que ser mais ambiciosos e deixarmos de lado a pequenez que tanto nos caracteriza.
Penso que o estado do desporto em Portugal não é de todo saudável, sobretudo num país onde somos bombardeados com futebol 24 horas por dia, em todos os meios de comunicação social. Então e o basquetebol, voleibol, râguebi, hóquei em patins, atletismo, ciclismo, etc? Não é com o programa Desporto2, que passa na RTP2, que vamos resolver as disparidades do desporto nacional. Existe vida para além do futebol. E olhem que eu pratiquei esta modalidade durante 6 anos e estive mais 3 ligado às suas andanças. 
Felizmente, ainda há muitas pessoas que praticam desporto em Portugal, não tantas como o desejável, mas que mesmo assim são os representantes de muitas instituições e clubes. Somos bons na patinagem, ciclismo, canoagem, ténis de mesa, atletismo, orientação... e muito mais.

O Estado deveria apresentar uma maior ênfase no desporto escolar, pois é aqui que está o segredo para o sucesso em várias modalidades. Nos países de Leste, nórdicos e Estados Unidos, desde cedo que as crianças são motivadas para a prática desportiva. Não é por acaso que os EUA foram o país com mais medalhas conquistadas nos JO2012, a Rússia em 4º e a Alemanha em 6º. São obviamente países com uma escala de recrutamento infindável, pormenor esse que faz toda a diferença. Em Portugal, o que se fez? A Educação Física vai deixar de contar para a média escolar. Ao mesmo tempo, foi publicado um estudo onde se diz que as crianças e jovens que praticam desporto são aquelas que obtêm os melhores resultados escolares. Será preciso dizer mais alguma coisa? Depois não se venham queixar do número crescente de crianças obesas, presas no seu sedentarismo, que custam milhões de euros/ano ao Serviço Nacional de Saúde. Qual será a motivação dum aluno sabendo que aquela disciplina não irá contar para a média final? A pessoa que teve esta peregrina ideia nunca deve ter saído da sua secretária no Ministério da Educação.
A Educação Física deveria contar para a média, com uma maior carga horária semanal (para quê disciplinas como Formação Cívica e Estudo Acompanhado? Formação Cívica aprende-se em casa com os pais!) e com a exploração de mais modalidades. Obviamente que nem todas as escolas têm as condições estruturais e humanas para implementar esta medida, porque mexe-se com horários dos professores e disponibilidade dos espaços físicos. Mas se continuar tudo na mesma, continuaremos na mediocridade.

Nem tudo é mau, pois também existem situações positivas que se reflectem na sociedade. Vejo cada vez mais pessoas com hábitos saudáveis, sobretudo no âmbito desportivo. Na minha área de residência, é cada vez mais comum ver pessoas a fazer o seu jogging ou a mandar umas pedaladas na bicicleta. Há muitas crianças e jovens inscritos nos clubes de futebol da zona, o que é assinalável. No meu caso particular, prefiro fazer o meu jogging e dar uma voltas de BTT com os melhores amigos, porque não consigo ficar muito tempo sem praticar desporto. Vejo também na televisão o número crescente de pessoas que vão a maratonas ou ao BikeTour, nem que seja só pelo convívio. Ou que os ginásios estão cheios. É um sinal de que as pessoas querem redefinir os seus hábitos, em busca de satisfação e de bem estar físico e psicológico.

No fundo, a prática desportiva traz imensos benefícios, sobretudo se for fomentada desde tenra idade. Permite criar uma cultura de responsabilidade, de autonomia, de trabalho em equipa (no caso das modalidades colectivas), capacidade de superação e aprender a lidar com a vitória, mas sobretudo com a derrota. Estes aspectos são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo e da personalidade de cada um. Como já referi anteriormente, é imperativo alterar a cultura desportiva em Portugal e descentralizar o foco que existe à volta de certas modalidades, em prol de tantas outras. O desporto escolar deve ser um veículo para a criação de atletas de excelência, que permitam alcançar o sucesso desportivo. Fazer uma carreira desportiva no nosso país pode parecer um suicídio, dadas as dificuldades. Mas são muitos aqueles que o fazem por gosto e que adoptam a filosofia de vida que o desporto oferece.

Pode ser que no Rio de Janeiro2016 as coisas sejam melhores, porque nós temos sempre aquela velha mania: amanhã é que vai ser! Agora que cortei a meta do meu texto, vou ver a etapa da Volta a Portugal, pois esta não é a minha vida! E boa sorte para os nossos atletas paralímpicos, em Londres.

'Necessitamos sempre de ambicionar alguma coisa que, alcançada, não nos torna sem ambição.' {Carlos Drummond de Andrade}

Boas leituras,
GC

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Tourada... tradição ou aberração?


E aqui estou eu de volta às lides do meu blogue, depois de um período de afastamento muito bem justificado. Andei por fora, a aproveitar o melhor que este país tem para oferecer (Sol, praia, as noites) e deixei o computador descansar por uns dias. Férias são férias e há que saber desfrutar todos os momentos! Nada mais explosivo do que o tema desta crónica, para regressar aos velhos tempos de discussão. CORRIDAS DE TOUROS. Tradição, violação dos direitos dos animais, festa ou aberração? Tudo isto e muito mais, já de seguida.

Compreendo perfeitamente a complexidade deste tema, que desperta ódios e paixões um pouco pelo nosso Portugal. Devido a esse facto, tentarei ser o mais realista possível nas minhas palavras. 
Sou a favor das corridas de touros. Desde criança que gosto assistir aos espectáculos e sempre me impressionou a destreza dos cavaleiros e dos forcados. Penso que o gostar ou não gostar de tourada depende muito da nossa educação e do contexto familiar/social em que estamos inseridos. Os meus pais e alguns irmãos gostam de touros, e desde cedo fui habituado a ver touradas na televisão. Também fui habituado a ver a minha mãe a matar galinhas e coelhos da nossa criação sem dó e piedade, o que talvez tenha contribuído para uma certa imunidade em relação ao sangue dos animais e a todas aquelas cenas rocambolescas (galinhas a caminhar sem cabeça, por exemplo).
A tourada é efectivamente uma tradição lusitana, que está presente na nossa cultura desde o século XVIII. Gosto do nosso Portugal de uma maneira bastante particular, como só os meus amigos mais chegados conhecem, e talvez por isso alinhe nesta tradição, respeitando as pessoas desse meio.
Foi assim a minha educação, aprender a gostar de Portugal, das suas tradições, dos seus lugares e das suas gentes. Mas uma pessoa que tenha nascido num contexto completamente diferente do meu, pode ter uma opinião divergente. As ideologias políticas, as convivências, a formação, aspectos familiares, entre outros, moldam a visão de cada um de nós. Felizmente, conheço pessoas com uma opinião contrária à minha, e que têm a capacidade de me confrontar com os seus argumentos. Digo 'felizmente' porque vivemos numa Democracia, onde devemos respeitar a visão de cada um.

Se as touradas não existissem, o touro bravo há muito que não estaria entre nós, porque a sua finalidade é essa mesma: ser toureado. É devido à dedicação dos ganadeiros e de todos os envolvidos na causa taurina que podemos apreciar a beleza e a destreza deste magnífico animal. O touro, na sua essência, vive feliz, porque desde que nasce até ao momento em que vai para a arena anda ao ar livre, em contacto com o campo e é tratado por pessoal qualificado e experiente (veterinários, campinos, tratadores...). O touro depois de ser lidado, é na maior parte dos casos, tratado para depois voltar aos campos. Sempre melhor do que as pobres galinhas, vacas e porcos, que estão confinados num espaço ínfimo para depois entrarem na cadeia de consumo. Também posso mencionar o impacto económico das touradas, que geram milhões de euros de retorno para todos os agentes económicos envolvidos. Basta ver o crescente número de espectadores que vai aos recintos, com um aumento significativo de jovens e de público feminino interessados pela tauromaquia.
Em Portugal, não existem touros de morte (legalmente), ao contrário de Espanha.
Por exemplo, sabiam que nas Filipinas, por altura da Páscoa, se realizam crucificações para recrear a caminhada de Cristo? E que em Espanha há pessoas que chicoteiam as costas em procissões? Eu também não acho muita piada, mas faz parte da Cultura do país, tal como a tourada em Portugal.

No que diz respeito aos grupos anti-tourada e dos direitos dos animais, respeito os seus pontos de vista e penso que desempenham um papel importante na nossa sociedade. Trabalham em prol de uma causa e é importante salientar esse facto. Conheço pessoas que o fazem e que admiro pela tenacidade e destreza que demonstram.
Admito que o touro possa sofrer no momento em que está a ser lidado, basta inclusivamente olhar profundamente nos seus olhos, ninguém o pode negar, nem mesmo os aficionados.
Compreendo perfeitamente que me queiram espetar uma faca no meu coração rude, mas para os mais distraídos: desde que me lembro, tenho animais. Cães, gatos, galinhas, coelhos, papagaios, patos periquitos, borregos... e sempre fui habituado a respeitá-los. Alguns animais ficaram na memória, pois deixaram uma marca inegável na minha vida. E repudio completamente aqueles que maltratam e abandonam os animais sob os mais estupidificantes argumentos. 
Deveria existir uma legislação mais consistente, que abordasse esta questão das corridas de touros, tal como o mau trato e abandono de animais, para que todos pudessem chegar a um consenso. Estas palavras podem parecer utópicas, mas representam a minha opinião.
Relativamente à transmissão de touradas na televisão, também sou a favor. Partindo do princípio que a tourada é uma tradição portuguesa, deve-se lhe dar a devida atenção, tal como se dá ao Fado, Canto Alentejano, Festas regionais, património edificado e imaterial, etc. Se não gostamos de tourada, pegamos no comando e mudamos para outro canal, que é o que eu faço quando está a dar novela na SIC e TVI.

Penso que este será sempre um tema nebuloso e capaz de gerar uma eterna controvérsia na sociedade portuguesa. Tentei expor os meus pontos de vista acerca das corridas de touros da forma mais correcta e simplista, para que ninguém me possa apontar o dedo por fanatismo e facciosismo.
Para mim, a tourada, a par do Fado, é o património cultural mais vincado das nossas raízes lusitanas. Patriota e defensor da nossa cultura, defendo o papel do touro e das gentes ligadas ao meio. Já o velho Eça descrevia as touradas e as vicissitudes inerentes, n'Os Maias.
Para tantos outros, a tourada não será mais do que uma mera atrocidade e afronta aos direitos dos animais, em pleno século XXI.

No fundo, tal como referi anteriormente, a opinião acerca da tourada é bastante influenciada pela educação, vivências e ideologias sociais/políticas que cada um de nós adopta ao longa da vida. Acima de tudo, há que saber respeitar os pontos de vista e discutir o tema dentro dos parâmetros normais. Há quem seja vegetariano, há quem seja a favor das drogas leves, do aborto e do casamento de homossexuais... e eu prefiro touradas, talvez por ser do signo Touro. Para escolher um lado, há que conhecer os dois.
Assim me despeço deste tema delicado, na expectativa que compreendam a minha posição, da mesma maneira que eu irei compreender a opinião de cada um.

Respeita-te e outros te respeitarão. {Confúcio}

Boas leituras,
GC

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Teoria da Negatividade



Depois dos recentes resultados dos exames nacionais do 12º ano, muita coisa se passou pela minha cabeça. Afinal de contas, de quem é a culpa da habitual chacina nas notas? Por quanto mais tempo teremos este sistema educacional pouco produtivo e com falhas assinaláveis na formação e na preparação dos alunos para a vida activa? Perguntas como estas serão dissecadas nas próximas linhas, sem dó nem piedade.

Ministério da Educação
Na minha humilde opinião, os exames nacionais são feitos por pessoas que nunca saíram das suas secretárias, ou se saíram, era na altura em que pesavam menos 30kgs, de certeza. É preciso estar contextualizado com as problemáticas que o processo educativo apresenta, desde os planos curriculares às condicionantes de cada agrupamento escolar. Penso que os actuais planos curriculares são demasiado extensos e pouco interactivos, fazendo com que os professores debitem, debitem e debitem matéria. Muitos pontos da matéria nem interessam ao menino Jesus e só servem para encher o belo do chouriço. Sou apologista de planos mais curtos e objectivos, que dotem os alunos de ferramentas necessárias para o seu futuro. Por exemplo, porque raio precisava eu saber de primitivas e integrais numa área de finanças e de contabilidade? Depois vinham-me com aquela desculpa 'ahh, ajuda no raciocínio'. Para isso vou fazer Sudoku ou jogar xadrez.
Os planos curriculares deveriam estar articulados desde o 10º ano até ao final do ensino superior, coisa que não acontece. Os alunos são obrigados a aprender matérias que nunca serão necessárias nas suas actividades profissionais. Com isto, não estou a dizer que se deve deixar de leccionar Filosofia ou História. Antes pelo contrário,os nossos alunos devem ser dotados de conhecimento geral e de capacidades técnicas para resolver problemáticas relacionadas com a sua área de especialização. Os americanos têm uma cultura geral fraquíssima, mas por outro lado são muito bons nas questões de nível técnico, porque não perdem tempo com floreados. Reforço então esta minha ideia da revisão dos planos curriculares, tornando os conteúdos menos massivos e mais apelativos para os alunos, em todas as áreas disciplinas e áreas de especialização.

Pais
Os encarregados de educação não se podem eximir de responsabilidades no processo educativo dos seus filhos. Dá-me ideia que os filhos vão para a escola à deriva, pois os pais não se interessam a fundo pelas questões educativas, e delegam muitas vezes nos professores a função de educar e de ensinar os filhos. Está errado. Em casa educam-se os filhos e na escola ensinam-se conteúdos programáticos. Ao fim ao cabo, a profissão dum jovem dos 6 aos 22/23 anos é ser estudante e os pais devem alertar os seus filhos para este facto. Quando se fica aquém dos resultados, é fazer ver que existem consequências. E quando se é bom naquilo que se faz, é recompensar o esforço e a dedicação. A cultura de meritocracia que várias vezes apregoei em crónicas anteriores é fundamental para o sucesso escolar de todos nós. No meu caso pessoal, soube ver esse lado e tirei o melhor partido possível. Os meus pais sempre exigiram o máximo, e quando se está na faculdade, temos que perceber que o dinheiro das propinas não é nosso e que está ali muito suor pelo meio. Os pais não podem ficar à espera que os filhos façam as coisas sozinhos, por isso devem acompanhar de forma aberta e frontal o percurso lectivo dos filhos, exigindo resultados e responsabilidades. Basta de sensacionalismos e de clichés. Mãos à obra.

Alunos
Ora aqui está. Com que então Fernando Pessoa estava com Vasco da Gama quando este descobriu o caminho marítimo para a Índia? E que combatemos os espanhóis em Alves Barrota? Ou que Salazar foi o primeiro Rei de Portugal? Somos sim os reis nas respostas mais imaginativas. Existe uma evidente falta de preparação dos alunos para os testes, provas e exames que são sujeitos ao longo do seu percurso educativo. A falta de vocabulário é a principal culpada desta trapalhada, pois a interpretação dos enunciados é fundamental para se construir uma resposta decente. Os mais jovens têm aversão aos livros, jornais e revistas. Passam o tempo todos agarrados ao computador, a escrever koisas com 'k' sem mto sentido, tão a ver? Os pais, desde cedo, devem fomentar a leitura junto da pequenada, pois este processo ajuda ao desenvolvimento do raciocínio e da interpretação frásica. Sim, eu li os livros todos d'Uma Aventura'. Sim, eu li os Maias até ao fim. Sim, eu estou a ler o livro de 1000 páginas de um dos meus irmãos. A relação com os números e com a Matemática também deve ser privilegiada, com uma prática intensiva ao longo dos anos lectivos. 
Outro ponto interessante prende-se com a falta de cultura de responsabilidade. Os alunos têm tremendas dificuldades em organizar o seu estudo. Ser estudante e não saber estudar é como dar um tiro no pé ou levar um pontapé nas partes baixas. A organização do tempo e das tarefas deve ser complementada com actividades extra-curriculares, tais como o desporto, música, voluntariado, etc. Ajuda a crescer, criam-se laços interpessoais e é uma forma de descarregar o stress do dia a dia. Desta forma, os computadores e telemóveis agradecem o menor desgasto.
Há que assinalar casos positivos, de alunos que se interessam desde cedo pelas letras e pelos números, que estudam e obtêm resultados. Não se pode estar sempre a criticar e a mandar abaixo os mais jovens, pois a generalização acarreta muitos dissabores. Acredito que no futuro, os mais jovens se preocupem a fundo com estas questões aqui abordadas, pois a educação é um bem fundamental para o desenvolvimento do bem estar económico e social da nação.

Uma última palavra sobre os professores
É normal que existam inúmeros professores desempregados... não há lugar para todos! O que vamos fazer? Colocar quatro professores por sala? Se Portugal é um dos países da OCDE com a maior taxa de abandono escolar, é normal que existam menos alunos, logo a necessidade de professores é menor. Querem um desenho? Quando não encontramos trabalho na nossa área de formação, só há um caminho a seguir: partir para outra. E esta realidade dói a muitos. 
Há professores horríveis, maus, assim-assim, bons, muito bons e excepcionais. Tive o privilégio de ter conhecido docentes com tremendas qualidades ao longo destes anos, com uma alma inteiramente dedicada ao ensino, pois nos seus rostos estava presente uma sensação de satisfação e de dever cumprido. Basicamente, estavam a fazer aquilo que mais gostavam. Temos que saber respeitar os professores, pois a transmissão de conhecimentos é uma tarefa só ao alcance de alguns. E pelo meio, temos a sorte de encontrar professores que transmitem muito mais do que está estipulado no programa. Acabam por se tornar nossos amigos e a sua grande recompensa está nisso mesmo.

A música dos Pink Floyd paira na minha cabeça. Não me vou alongar mais, pois este tema causa varizes e prisão de ventre. Acredito num futuro melhor para a Educação em Portugal, mas isto sou eu, um gajo que sonha alto. E que não gosta de greves.

'Para aprender não basta só ouvir por fora, é necessário entender por dentro.' {Padre António Vieira}

Boas leituras,
GC